Sindicatos fazem ato em Brasília pela prorrogação da desoneração da folha de empresas.

< Voltar

21/10/2020

Sindicatos de trabalhadores das empresas afetadas pelo veto do presidente Jair Bolsonaro à prorrogação até 2021 da desoneração da folha de pagamento fizeram nesta terça-feira (20) uma manifestação em Brasília na qual pediram ao Congresso Nacional a derrubada do veto.

Bolsonaro vetou em julho o dispositivo que prorrogava até o ano que vem a desoneração da folha das empresas de 17 setores da economia e que empregam mais de 6 milhões de pessoas.

A prorrogação até 2021 foi incluída pelo Congresso na medida provisória que permitiu a redução da jornada de trabalho e do salário em razão da pandemia do novo coronavírus. Com o veto, a desoneração acaba no final deste ano — a não ser que o Congresso derrube o ato do presidente.

Integrantes de sindicatos dos setores de tecnologia da informação, comunicação, indústria têxtil e de telecomunicações participaram da manifestação. Eles fizeram uma caminhada da sede do Ministério da Economia até a Praça dos Três Poderes.

Eles pediram ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que paute a análise do veto de Bolsonaro.

"A nossa previsão, apesar de se tratar de uma área de serviços essenciais, é que nós teremos para o início de janeiro mais de 500 mil demissões. Um dos setores que vai ser afetado é o setor de teleatendimento. Vai ser uma área que vai ser muito afetada com a não desoneração da folha de pagamento", afirmou Marcos Milanez, diretor-secretário do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações no Estado de São Paulo.

Milanez afirmo que o Congresso Nacional e a equipe econômica do governo devem entender que a manutenção da desoneração em um cenário de crise econômica é uma questão de responsabilidade social.

"O Paulo Guedes [ministro da Economia] tem que entender — e o Congresso Nacional entender — que no momento em que a gente está vivendo, de crise econômica, se não conseguirmos manter por mais um ano esses empregos, nós vamos ter mais demissões. É mais problema para o governo federal", declarou Milanez.

Caso o Congresso Nacional mantenha o veto, entre os setores afetados estarão os de call center, tecnologia da informação, transporte, construção civil, têxtil e comunicação.